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PROGRAMA

PROPOSTA PARA CADA PPR

PPR 1: Parar e tomar consciência [Discernimento]

Antes de decidir para onde queremos ir, precisamos de perceber onde estamos. Parar significa criar distância do ruído, da pressa e das solicitações permanentes para olhar com verdade para a própria vida: o que estou a viver? O que me preocupa? O que me dá alegria? O que me pesa? Que desejos, medos, perguntas e decisões trago comigo? Neste primeiro PPR o objectivo é recolher aquilo que anda disperso na nossa vida, trazendo à consciência a história, as perguntas, os ideais e as situações concretas que estamos a viver.

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O discernimento começa aqui: não numa resposta, mas numa tomada de consciência. É aprender a escutar os movimentos interiores, distinguir aquilo que nos conduz a uma maior liberdade e àquilo que nos fecha e reconhecer para onde a vida nos está a chamar. Não se trata de pensar indefinidamente sobre nós próprios, mas de parar para poder escolher melhor. Estes dias de retiro, à qual chamamos de PPR, procuram precisamente criar condições para que desejos, medos e questões não se transformem em obstáculos ao discernimento.

Nenhum de nós começa hoje. Somos uma história. Trazemos connosco pessoas, lugares, acontecimentos, escolhas, alegrias, feridas, aprendizagens, sucessos e fracassos que contribuíram para nos tornar quem somos. Reconhecer as raízes pessoais significa revisitar a própria história sem ficar prisioneiro dela, procurando compreender de onde venho, o que recebi, o que me marcou e quais são os valores e experiências que sustentam a minha identidade.

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Este olhar permite também reconciliar-nos com a nossa história. Algumas raízes precisam de ser agradecidas; outras compreendidas; algumas feridas talvez necessitem de ser cuidadas; outras experiências precisam simplesmente de encontrar o seu lugar. O objetivo não é idealizar o passado, mas integrá-lo. Só quem reconhece as próprias raízes pode crescer sem perder a identidade e abrir-se ao futuro sem precisar de negar aquilo que viveu.

PPR 2: Reconhecer as raízes pessoais

A família é um dos primeiros lugares onde aprendemos o que significa receber e dar amor, confiar, depender, cuidar, discordar, perdoar e pertencer. É também o espaço onde muitas das nossas forças e fragilidades se formaram. Olhar as relações familiares significa perguntar com serenidade: como estou nas minhas relações? Quem são hoje as pessoas verdadeiramente significativas para mim? Onde existe proximidade? Onde existe distância? O que precisa de ser agradecido, dito, perdoado ou reconstruído?

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Não procuramos uma família ideal, mas relações mais verdadeiras e libertadoras. Crescer implica reconhecer que ninguém é alguém sozinho. A lógica cristã começa pelo chamamento a formar comunidade: não somos indivíduos isolados, mas pessoas chamadas a encontrar um lugar pessoal numa comunidade. O desafio será descobrir como podemos estar mais presentes na vida daqueles que nos foram confiados e permitir também que os outros tenham lugar na nossa.

PPR 3: Olhar as relações familiares

PPR 4: Redescobrir a dimensão social

A vida não termina no círculo pessoal ou familiar. Somos parte de uma comunidade, de uma cidade e de uma sociedade. Redescobrir a dimensão social significa perceber que aquilo que fazemos - ou deixamos de fazer - tem consequências para os outros. É passar de uma existência centrada apenas nas necessidades individuais para uma consciência de pertença, responsabilidade, solidariedade, participação e contribuição.

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Queremos recordar a beleza da relação entre direitos, deveres, corresponsabilidade e solidariedade. A pergunta deixa então de ser apenas “o que quero para a minha vida?” e passa também a ser: “que mundo estou a ajudar a construir?” A abertura ao outro, particularmente ao diferente e ao vulnerável, torna-se uma maneira concreta de alargar o coração e de transformar a sociedade a partir das relações quotidianas.

PPR 5: Dar sentido ao trabalho

O trabalho ocupa uma parte significativa da nossa existência e, por isso, não pode ser reduzido apenas a uma forma de rendimento, produtividade ou estatuto. Dar sentido ao trabalho significa perguntar para quê e para quem trabalho, que lugar ocupa o trabalho na minha vida, que capacidades coloco ao serviço dos outros e se aquilo que faço contribui para a pessoa que desejo tornar-me.

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Esta reflexão permite recuperar a ideia de vocação. Cada pessoa possui dons, capacidades e uma maneira singular de contribuir para o mundo. O sentido não depende necessariamente de ter o “trabalho ideal”, mas de descobrir como podemos introduzir humanidade, competência, cuidado, criatividade e serviço naquilo que fazemos. Esta pausa para reflectir alarga esta missão a toda a vida concreta (família, amizades, trabalho, cultura, política e lazer) sintetizando-a no desejo de em tudo, amar, servir e doar.

PPR 6: Cuidar do corpo e das emoções

Não temos simplesmente um corpo: somos corpo. E as emoções não são obstáculos à vida espiritual ou racional; fazem parte da maneira como experimentamos a realidade. Cansaço, ansiedade, entusiasmo, tristeza, medo, desejo, serenidade ou alegria dizem-nos algo sobre aquilo que estamos a viver. Precisamos de aprender a escutá-los sem permitir que sejam os únicos critérios das nossas decisões.

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Cuidar de si implica, portanto, desenvolver uma relação mais consciente com o corpo, o descanso, os ritmos, a alimentação, o movimento, os afetos e as emoções. O objetivo não é controlar tudo o que sentimos, mas aprender a reconhecer, nomear, compreender e integrar. Este PPR propõe uma avaliação objectiva e não culpabilizante da experiência, procurando reconhecer padrões, desenvolver aquilo que faz crescer e corrigir o que diminui a liberdade.

PPR 7: Aprofundar a espiritualidade

A espiritualidade começa quando nos permitimos entrar mais profundamente na vida. É criar espaço para o silêncio, a interioridade, a oração e as grandes perguntas: quem sou? Para que vivo? O que dá unidade à minha existência? Onde encontro Deus? A que sou chamado?

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Na perspetiva cristã, a espiritualidade não consiste em fugir do mundo, mas em aprofundar a relação com Deus para regressar à vida com outro olhar. Estes dias de retiro são, antes de tudo, uma experiência pessoal de relação com Deus em que oração, meditação, contemplação, exame de consciência e discernimento são métodos destinados a ordenar a vida e procurar a vontade de Deus. No Centro Dehoniano, esta dimensão pode adquirir uma tonalidade própria: abrir a mente e abrir o coração, aprendendo a reconhecer Deus no interior da vida concreta.

PPR 8: Harmonizar os quatro pilares da vida

Depois de olhar separadamente para as diferentes dimensões da existência, chega o momento de contemplar a vida como um todo. Podemos pensar em quatro grandes pilares: eu próprio - corpo e interioridade; as relações - família e afetos; o mundo - trabalho e sociedade; e a espiritualidade - sentido da vida, transcendência e relação com Deus. Nenhum destes pilares existe isoladamente.

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Harmonizar não significa distribuir matematicamente o mesmo tempo por todas as áreas, mas perceber se existe coerência entre elas. Pode haver momentos em que uma dimensão necessita de maior atenção; o importante é que nenhuma seja permanentemente esquecida e que todas dialoguem entre si. A pergunta central deste PPR poderá ser: a vida que estou a viver corresponde à pessoa que quero ser? Trata-se de procurar unidade: não viver várias vidas paralelas, mas uma só vida, integrada e com sentido.

PPR 9: Projectar o futuro com sentido

Depois de parar, olhar a história, as relações, o mundo, o trabalho, o corpo e a espiritualidade, podemos perguntar: e agora, para onde quero caminhar? Projetar o futuro não significa controlar aquilo que vai acontecer. Significa escolher uma direção e transformar aquilo que descobrimos em decisões, prioridades e compromissos concretos.

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O futuro com sentido nasce de um discernimento entre aquilo que desejo, aquilo que posso e aquilo a que me sinto chamado. Por isso, não se trata apenas de estabelecer objectivos, mas de formular propósitos: que quero cuidar? O que preciso de mudar? A quem quero dedicar mais tempo? O que devo começar? O que preciso de abandonar?É preciso regressar à vida quotidiana, avançar, arriscar e deixar que as luzes e propósitos recebidos produzam fruto e fruto abundante!

PPR 10: Celebrar e agradecer

O percurso termina não com uma conclusão, mas com uma celebração. Depois de tanto olhar, questionar, discernir e projetar, é importante reconhecer aquilo que recebemos. A gratidão muda a forma como olhamos para a existência: permite perceber que a vida não é apenas aquilo que construímos, mas também aquilo que nos foi oferecido: pessoas, oportunidades, capacidades, encontros, aprendizagens, beleza, perdão, amor.

 

Por isso, agradecer é também uma maneira de partir. O último dia do PPR une precisamente avaliação, gratidão e regresso à vida quotidiana: reconhecer o bem recebido conduz à missão. Celebrar significa então reconhecer o caminho percorrido, agradecer quem caminhou connosco e abrir-se ao que vem. Não terminamos iguais ou da mesma forma que começamos.

 

Agradecemos o caminho feito e entregamo-nos ao caminho que começa.

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